quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Eu ainda não aprendi a fugir das coisa internas

Quase não venho escrevendo, pois isso já deixou de me confortar, onde antigamente era meu único remédio, hoje já não me faz efeito, escrever já não faz tudo parar de arder, escrever agora me dói, pois me faz lembrar de como eu era antes, meus livros estão todos encostados na estante cobertos de poeira, alguns nem foram folheados, eu deixei de lado pois diziam que aquelas histórias estavam me fazendo criar fantasias mirabolantes e que aquilo tudo me fazia mal. Eu venho me privando de sentir dor, eu venho me negando a sofrer, toda vez que eu engulo um choro minhas amídalas parecem arrebentar, e toda vez que eu seguro um grito minha cabeça parece explodir, lembro que quando eu era criança e tinha crises de choro porque não queria ir para aula, minha mãe fazia pra mim salada de fruta com bastante calda de chocolate, mas agora nem todas as frutas, nem toda calda de chocolate do mundo vão fazer tudo melhorar, porque não é mais na aula que eu não quero ir, é a vida que eu não quero mais enfrentar. A vida me esmaga, me mastiga com força e me cospe fora, e eu me torno o bagaço que nem a vida conseguiu engolir.
Alguma coisa estranha aconteceu, não lembro quando e nem como, mas parece que todos os meus sentimentos foram intensificados, eu sinto tudo e tudo me dói, eu pego essas coisas ruins e guardo, mas essas ''coisas'' me corroem, me matam da pior forma, aos pouco, me apodrecem por dentro sem soltar nem um odor, é tudo tão silêncio. Eu perdi a noção do que eu falo, do que eu penso, na verdade eu penso tudo e de uma vez só.
Talvez eu esteja enlouquecendo sem que ninguém perceba, talvez sou eu quem não deixo que ninguém veja, talvez seja só drama, talvez seja só mais uma das minhas mil neurose, mas tudo isso não é enlouquecer? Talvez devessem me prender em algum lugar, antes que eu solte todo esse choro e os gritos, antes que eu resolva soltar toda essa neurose e queira bater nas pessoas. Enquanto escrevo isto, minha mãe está la na cozinha, mas já veio aqui duas ou três vezes, me trouxe uma fatia de manga, disse que as coisas ruins são como ondas, mas que eu sou um barco forte, depois voltou e perguntou se eu estava melhor, sinto que ela teme que essa turvação me tome de vez e eu me perca pra sempre. Eu também tenho medo, pois já não me reconheço.