segunda-feira, 11 de março de 2013

Me impeço de ser eu mesma

Converso pouco para não deixar alguma palavra errada escapar, e eles percebam o muro que venho construindo em minha mente para impedir que minhas confusões e meus medos pulem para fora todo o tempo, pois eles não iriam acreditar que eu consigo controlar meus sentimentos. Eles querem me curar, com os seus remédios e todas as suas orações, dizem que preciso de um médico, ou que é falta de uma força superior, até me levaram para um lugar distante, um lugar bonito, mas deu. Eles dizem que eu preciso aceitar melhor as coisas, que preciso suportar tudo quieta e deixar de ficar brava, dizem que choro demais, que eu torno tudo mais difícil, que não sei esperar, me precipito e não sei lidar com nada, achando que assim eu vou enfrentar a dureza das coisas, mas eu não enfrento. Depois dizem que eu tenho que ocupar minha cabeça, mas a super lotação sempre me fez mal, meus pensamentos são claustrofóbicos. Logo em seguida se arrependem porque sabem que eu não tenho jeito, e vêem dizendo outras coisas que eu nem ouço, adquiri um jeito de me ensurdecer de vez em quando, eles nunca sabem o que dizer mesmo, até aprendi a gargalhar espontaneamente, quando não sei o que dizer eu ativo essa gargalhada, assim vão pensar que eu estou feliz e não vou precisar mais daqueles remédios que fazem dormir. Agora eu finjo, e minto, para não me mostrar como estou, só para não me taxarem mais como a problemática que ninguém sabe lidar. As vezes ainda me esbaldo em lagrimas e quebro as coisas, mas pelo menos deixei de me machucar, isso faz parte do processo de fingir, sem marcas pelo corpo, vai parecer que está tudo bem.