domingo, 23 de novembro de 2014

Sei que combinei que iria suportar


Hoje eu queria que depois do seu simples ''Bom dia, e ai, bem?'' Você quisesse realmente saber como eu estou, que eu pudesse dizer tudo aquilo que eu escondo desde o começo sobre quem eu sou, por medo de te assustar e te afastar pra sempre. Mas hoje eu não estou me importando, o tempo transmiti calma, esta fresco e chove um pouco la fora, dias assim fazem em mim um efeito controverso, eu não estou calma, sabe? E eu gosto de falar quando estou assim, quando as minhas emoções estão fortes, porque mesmo que seja tudo tão precipitado eu sei que não vou deixar passar nada, não vou esconder ou mentir que tem estado tudo bem desde que você me deixou. Eu diria tudo que eu venho preparando pra dizer, mas você não me telefonou, nem veio me ver, e é sobre isso mesmo que eu queria falar, que eu não aguento mais ficar esperando todos os dias a toda hora que você me mande mensagens ou apareça. E quando você aparece na tela do meu celular, no portão da minha casa, ou no ponto de ônibus, eu me controlo pra não dizer nada, não te deixar apavorado, porque eu quero que você volte.
Ontem eu disfarcei tudo muito bem, conversei com algumas pessoas na madrugada, tomei o meu calmante e dormi bem. Acordei hoje, quieta por dentro, mas com uma vontade imensa de falar, Seu cheiro ainda esta no meu travesseiro, então comecei a lembrar de tudo, e lembrei, relembrei, e quando vi, já estava apertando minhas unhas contra a minha própria mão e gritando com a minha mãe, eu retrocedi os estágios da perda, e voltei pro de negação, eu não suportei lembrar que eu perdi, que eu talvez errei e as vezes nem enxerguei. De repente minha mãe também começou a gritar e dizer que todo mundo já cansou de me falar as mesmas coisas, que de quem mais eu preciso ouvir que ele não vai mudar? Quando eu já ouvi isso do próprio, e isso me doeu porque era verdade. Então ela me ordenou que eu tomasse meu calmante da manhã e fosse tomar um banho frio.
Todos dizem que eu preciso aceitar, que vai doer agora, mas que eu tenho que sofrer, porque a vida é dura, e eu preciso me manter longe dele porque somos incompatíveis, dizem que não tem mais jeito, que não ha volta. Perguntam como eu me sinto sempre sendo o segundo plano, e se é um cara assim que eu quero que seja os pais dos meus filho, me enchem de perguntas, parecendo enfiar uma broca no meu cérebro, e tudo isso me afunda em desespero, angustia e raiva, mas acho que é isso que eles querem, que eu sinta algo que não seja por ele, seja por mim, pra ver se eu acordo, se eu levanto da cama, se entendo que se eu quiser continuar a viver eu tenho que comer (mas eu não quero), que eu
preciso sair e conhecer outras pessoas. Mas eu não faço nada disso, eu não sei porque eles não entendem, eu não sei você não entende. Parei de escrever quando meu celular vibrou, era você, me arranhei pra não responder, porque eu já perdi a vontade de falar tudo que eu queria falar no começo do dia, e eu só queria responder algo que fizesse você correr e vir me ver, pra que assim eu pudesse te trancar de novo na minha casa, esconder as chave do seu carro e te obrigar a ficar o resto do dia e a noite inteira comigo. Mas eu não disse nada, não fiz nada.